Reconstrução do país deve ir além de retórica

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O Brasil vive início de nova fase. E, como sempre, de esperança, mudança, melhora. Governo novo, novas mensagens, promessas repetidas que geram natural expectativa.
Porém, é conveniente não esquecer que a verdadeira mudança, positiva e duradoura, depende de um conjunto de fatores, de atitudes e ações. Não depende apenas do governo, da oposição, da política, da sociedade organizada. O anseio de um período melhor será realidade se todo esse conjunto atuar com sinceridade e determinismo, focado prioritariamente no bem-estar da Nação e de seu povo. Mudança deve ser vontade geral.
É importante lembrar que momentos como este o país viveu muitos outros, com maior ou menor euforia. A história registra e nossa memória sabe que a expectativa resultou mais em frustração do que confirmação.
Estamos realmente diante de nova oportunidade de reconstruir o país, segundo palavras do presidente eleito em seu discurso de posse no Congresso. É evidente que a reconstrução não se restringe a atos e políticas administrativas, seu espectro é mais abrangente.
Jair Bolsonaro chegou ao poder por uma série de peculiaridades, mas certamente a pregação centrada na necessidade de mudanças teve peso maior. Além disso, ele soube aproveitar a força das redes sociais, principalmente na fase mais aguda da campanha, quando convalescia. Ainda assim não perdeu contato nem se distanciou do eleitorado. As redes supriram com eficiência os horários no rádio e na televisão, reiterando que esta eleição foi, sem dúvida, de intensa participação popular tanto no primeiro como no segundo turno.
Bolsonaro não é efetivamente um grande líder, talvez mais um mito, como acabou sendo seguidamente qualificado. Revelou em suas propostas (algumas polêmicas) pontos identificados com os anseios populares. Sua pregação sobre mudança política e contra as velhas práticas obteve resposta e foi responsável pela rejeição a líderes desgastados e caciques partidários, ensejando uma relativa renovação.
Seu partido (PSL), carente de quadros, acabou elegendo por impulso do nome do candidato presidencial muitos nomes de pouca expressão que correm o risco de pagar pelo noviciado aderindo aos viciados caciques sobreviventes.
Entendo que um pacto, como citou o novo ministro da Casa Civil, ou movimento de reconstrução de um novo Brasil é mais complexo do que simples propostas ou retóricas políticas. Deve ser um sólido projeto em favor do país, congregando todas as forças políticas que pregam a instauração de uma nova era. Isso exige determinação, a começar pelo novo governo, entendendo que a disputa acabou e que não deve existir o lado que ganhou nem o que perdeu. O objetivo é o país, acima de picuinhas e revanchismo.
Ponto importante quando se pretende entendimento é o respeito mútuo. Não se coadunam com postura respeitosa atos e declarações impertinentes como, por exemplo, partidos que se recusaram em participar da solenidade de posse, fato que não se traduz em protesto, mas sim radicalismo e inconformismo, pois na democracia é preciso saber ganhar e perder e, portanto, evitar atitudes mesquinhas. Igualmente, do lado vitorioso ocorreram declarações inoportunas, chacotas com propósito de ridicularizar, deslustrando o sentido da conquista. Isso tudo alimenta hostilidades no momento de serenar os ânimos e demonstrar grandeza política de parte a parte. 
A oposição deve compreender seu importante papel e demonstrar consciência de seus limites. A democracia não prescinde da oposição, para que exista contraponto, fiscalização, cobrança do governo, assim como colaboração em projetos e políticas do interesse nacional. Portanto, deve ter espírito colaborativo sem radicalização. Creio que o papel de oposição mais efetiva caberá ao Partido dos Trabalhadores, que não saiu diminuído da eleição. Continua sendo a grande e coesa sigla integrada por lideranças de peso como intelectuais, pensadores, representantes da cultura, artistas.
Também de outros partidos e blocos no Congresso espera-se atuação no mais amplo sentido da política como ciência da boa administração pública, reconquistando esquecidos valores éticos e patrióticos. A aplicação da cláusula de barreira resulta positiva para a futura relação governo-parlamento ao reduzir em 14 o número de partidos nanicos.
Acredito que é possível ver as prioridades do povo brasileiro colocadas acima dos desejos personalistas, ideologias partidárias, convicções pessoais. A Nação, como ente, desconhece ideologias a não ser aquela de identificar seus representantes unidos na tarefa de crescimento e bem-estar de seu povo.
Por oportuno, vale ressaltar que a maioria dos enunciados aqui descritos serve igualmente a Estados, notadamente naqueles em que houve alternância partidária e ideológica no comando central.
Resumindo, se o clima e a oportunidade são propícios à reconstrução, que a tomada de posição seja geral. Se assim não for, fica tudo como estava. Será mais uma oportunidade perdida e o Brasil, mais uma vez, o país do futuro e da esperança, não o país do presente, dos avanços e das realizações.

Confira a lista de premiados do Festival.

Confira a lista de premiados do Festival.
TROFÉU TROPEIRO:
1. Melhor Filme - Júri Oficial e Júri Popular – 10 Segundos para vencer
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2. Melhor Diretor – Aly Muritiba, por Ferrugem
3. Melhor Roteiro – Thomas Stavros, Patrícia Andrade, José Alvarenga Jr. e Marcio Alemão, por 10 segundos para vencer
4. Melhor Fotografia – Lula Carvalho, por 10 Segundos para vencer
5. Melhor Montagem – João Menna Barreto, por Ferrugem
6. Melhor Direção de Arte – Tiago Marques, por Ferrugem
7. Melhor Som – José Moreau Louzeiro, Tomás Alem, Bernardo Uzeda e Rodrigo Noronha por 10 Segundos para vencer
8. Melhor Trilha Sonora – Lucas Lima, por Coração de Cowboy
9. Melhor Ator – Osmar Prado, por 10 Segundos para vencer
10. Melhor Atriz – Karina Telles, por Benzinho
11. Melhor Atriz Coadjuvante – Nathalia Garcia, por Ferrugem
12. Melhor Ator Coadjuvante – Jackson Antunes, por Coração de Cowboy
13. Prêmio Especial do Júri – Como atriz revelação sustentando um difícil papel dramático, para Tiffany Dopke
CELULAPA:
1º - Jesus Tem Um Plano Pra Você - Beto Carminatti
2º - Janelas - Victor Garcia
3º - E Quem Disse Que Não Pode - Duda Daher
 
 






















 

Eleição 2018: divisor de águas


O eleitorado brasileiro deu provas de avanço em termos de conscientização e de participação, não somente em trabalho organizado em prol de candidatos como também em mobilização democrática e saudável contra adversários, como se viu no movimento “ele não”, liderado por grupos femininos em oposição a Jair Bolsonaro. Para isso muito contribuiu a utilização das redes sociais. Aliás, a ferramenta foi muito mais usada nesta eleição do que nas anteriores. Os próprios candidatos fizeram pessoalmente uso dos mais diversos dispositivos de comunicação direta, basta ver que Bolsonaro, devido ao atentado que o imobilizou, não perdeu contato com seus seguidores e com aqueles que pretendia alcançar; mesmo no hospital se manteve virtualmente ativo. Youtube, Facebook, Instagram e Whatsapp se revelaram eficientes ‘palanques’ virtuais.

Percebe-se o povo brasileiro mais crítico e disposto a promover mudanças na mentalidade política (e principalmente dos políticos), haja vista que tradicionais e quase vitalícios caciques foram defenestrados nas urnas. Entre muitos, podem ser citados Agripino Maia (RN), Jorge Viana (AC), Ricardo Ferraço (ES), Vicentinho Alves (TO), Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA), Eunício de Oliveira (CE).

Houve casos de famílias vetadas pelo voto, como os Sarney – dominantes no Maranhão – que não elegeram seus integrantes e estão fora da política regional. Isso deve ser visto como renovação, como aconteceu no Paraná, em que a família Dias sofreu baixas, o senador Requião perdeu a reeleição, mesmo sendo considerado líder influente com três mandatos de governador, Beto Richa, de família política, não conseguiu se eleger para o Senado e seu grupo saiu enfraquecido. O povo preferiu mudar, apostando em lideranças novas a velhos grupos que nos últimos trinta anos se revezavam no poder, o eleitorado paranaense optou pela política planejada, moderna e atualizada.

Tivemos outros bons exemplos da atenção do eleitor no sentido de promover filtragem na política. Emblemático foi o fato da rejeição a envolvidos em corrupção, principalmente investigados pela Lava Jato. A própria Força Tarefa relacionou 31 políticos investigados e/ou réus que não se elegeram; entre os nomes mais conhecidos estão: Alfredo Nascimento (PR-AM), Aníbal Gomes (MDB-CE), Benedito de Lira (PP-AL), Beto Richa (PSDB-PR), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Delcídio do Amaral (PTC-MS), Garibaldi Filho (MDB-RN), José Carlos Aleluia (DEM-BA), José Mentor (PT-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ), Luiz Sérgio (PT-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO), Valdir Raupp (MDB-RO).
É correto afirmar que a renovação só não foi maior porque o financiamento público de campanha não beneficiou os novos, sendo distribuído preferencialmente para os caciques e candidatos tradicionais e influentes em seus respectivos partidos, barrando oportunidades aos iniciantes e funcionando como desestímulo. Por isso, na Câmara Federal restou um grupo de deputados que acumulam entre 24 e 28 anos de mandatos consecutivos e nas Assembleias Legislativas, assim como no Senado, também muitos notórios carreiristas permaneceram.

Em Minas Gerais notou-se esse posicionamento seletivo, embora os candidatos não estivessem diretamente ligados à Lava Jato, mas a outras investigações, como Fernando Pimentel, Aécio Neves (que se salvou ao optar por uma alternativa mais viável, trocando o Senado pela Câmara Federal) e a ex-presidente Dilma Rousseff rejeitada para o Senado. Outros políticos com “validade vencida” acabaram perdendo por seus próprios erros e falta de avaliação do novo momento, entre os quais Geraldo Alckmin (cujo partido perdeu metade dos representantes no Congresso), Eduardo Suplicy, Ciro Gomes, Marina Silva. Esses não renovaram o discurso e correm o risco de ver a carreira encerrada.

Os ventos de renovação favoreceram alguns políticos e partidos ainda não contaminados. Exemplo é o Novo. Aém de expressiva votação no seu primeiro pleito presidencial (5º. lugar geral) vencendo siglas como MDB e Rede, disputa o segundo turno ao governo de Minas Gerais.

Outra constatação é de que o eleitor preferiu candidatos com comportamento político mais definido, rejeitou a pregação de meio-termo. Isso já havia ocorrido na campanha de Fernando Collor em 1989 e repetiu-se agora com Bolsonaro. Mensagens mornas e bandeiras sem forte apelo popular não encontraram receptividade nas urnas. Aliás, esta eleição acabou muito parecida com a de 1989. Todos os grandes partidos participaram no primeiro turno com o melhor de suas lideranças, no entanto, a predominância ficou com uma sigla de menor expressão. Naquele ano, nomes como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Aureliano Chaves não tiveram a votação esperada e o segundo turno ficou entre Fernando Collor (PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, o PSL sem a tradição dos demais levou Bolsonaro para a definição em segundo turno.

Ficou evidente, também, que esta eleição foi visivelmente plebiscitária, polarizada entre duas correntes, o petismo e o antipetismo. O primeiro turno deixou essa tendência bem clara, tanto assim que para o segundo turno foram Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), este encarnando o antipetismo desde o início e com mais contundência.

Vejo como importante perspectiva de redefinição do sistema político-partidário com a cláusula de desempenho eleitoral, conhecida como cláusula de barreira, que levará à gradativa redução do número de partidos. Neste ano – primeira eleição com a vigência do dispositivo – 14 siglas não atingiram a representatividade exigida e o total deve cair de 32 para 18 partidos. Os atingidos não terão tempo no horário eleitoral gratuito para pregação e nem o amparo financeiro do Fundo Partidário. Seus integrantes certamente irão se abrigar em outras siglas.

Por todos esses fatos e circunstâncias, e as respostas populares reveladas pelas urnas, acredito que esta eleição pode ser considerada um divisor de águas em prol da mudança da própria política. Se o povo despertou mesmo para a efetiva participação é um acontecimento auspicioso, pois o fortalecimento da democracia depende dessa participação popular, principalmente através dos partidos, com novas lideranças sem vícios, novas ideias e verdadeira disposição para o trabalho sério, comprometido com as aspirações nacionais. Acredito que deste pleito podemos tirar lições positivas, tivemos avanços e podemos avançar muito mais para o aperfeiçoamento do sistema político e consolidação da democracia.

Que país é este ?!

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É um país soberano e democrático com cerca de 207,7 milhões de habitantes, no geral de índole pacífica e solidária. É o quinto em área territorial, isto é, um país continental com mais de 8,5 milhões de km2, e litoral com 7,3 km de extensão, acrescido do mar territorial que passa de 22 km.
O Brasil é classificado como a oitava economia do mundo e o agronegócio representa mais de 50% da balança de exportação, a caminho do 10º. lugar no ranking internacional de fornecimento de alimentos para o mundo. Somos um dos maiores produtores de grãos e nossa indústria é moderna, desenvolvida, exportadora.
Por isso o Brasil é a principal nação latino-americana e não sem razão um estadista norte-americano disse que para onde pender o Brasil penderá a América Latina. Ainda que possa ter sido uma afirmação com viés político, não deixa de expressar verdade inconteste.   
Esses são dados públicos, todos sabem. Mas este país tem características especiais que somente os brasileiros conhecem. A natureza foi dadivosa, dotando de clima diferenciado em todos os quadrantes e solo rico e produtivo que permite plantar de tudo e de tudo colher em todas as regiões, daí a pujança agrícola e pecuária.
A natureza abençoou o Brasil de forma especial. Temos chuva, sol, todas as estações do ano, praias, serras e montes e as mais notáveis regiões turísticas que encantam o mundo. E aqui não temos furacões, tornados e muito menos tsunamis. Tem povo amigo e solidário sempre receptivo a quem queira adotar o Brasil somo segunda pátria, imigrantes de variadas partes do mundo que para aqui vieram - e continuam vindo - a contribuir para o enriquecimento desta nação com trabalho, conhecimento e cultura em geral.
Porém, com tudo isso e muito mais o Brasil vem sendo há décadas dito ‘país do futuro’. Por que esse futuro é sempre adiado e nunca chega?
Acredito que é porque entre os 207,7 milhões de brasileiros há uma pequena, porém influente, parcela que não enxerga muito bem e age muito mal.
Raciocinando sobre o Brasil contemporâneo, isto é, de algumas décadas para cá, constata-se que tivemos um presidente cassado por corrupção, uma presidente afastada por desvio de conduta administrativa, um vice-presidente que assumiu e está sob investigação por corrupção, mal que quanto mais é combatido mais avança, e um ex-presidente preso por corrupção e lavagem de dinheiro .
 Isso tudo em meio a crises constantes a ameaçar a governabilidade, governos que não conseguem implantar reformas necessárias, desleixo com a memória do país evidenciado com o recente incêndio no Museu Nacional, instituição bicentenária depositária de parte significativa de nossa história. Tudo acrescido agora por um período eleitoral nada tranquilo e repleto de ações na justiça porque os ataques pessoais cedem lugar ao debate de ideias e propostas.
Públicos, como os dados econômicos, são também as informações sobre desvios éticos dos políticos que têm a responsabilidade de dirigir o país em seus devidos poderes, legislativo e executivo, principalmente, problema que se estende a estados e municípios.
O Brasil vive sob intensa contradição: um ex-presidente da República condenado e preso por corrupção que segue com liderança na preferência eleitoral, embora legalmente impedido de participar de pesquisas e de concorrer ao pleito presidencial. Sistemática e obstinadamente tem ocupado a justiça com repetitivos recursos jurídicos sem consistência. Por fim, a campanha eleitoral é maculada por atentado contra um candidato nos braços do povo, expondo o baixo nível da disputa.
Todos esses acontecimentos, essas situações, pela gravidade que encerram geram intensa e negativa repercussão na imprensa e na opinião pública internacionais, o que acaba contribuindo para afastar os necessários investimentos estrangeiros que oxigenam a economia, alavancam a produção e por consequência a geração de empregos tão importante para o combate ao desemprego e diferenças sociais.
Lamentavelmente, o que se tem visto e a realidade indica é que assim poderá continuar, com governo sem força e prestígio popular, refém de um Congresso negocista que atua em benefícios próprios e ainda o risco presente de a locupletação prosseguir na mesma escala.
Mais grave, uma campanha presidencial que não permite ao cidadão vislumbrar opção capaz de mudar a situação e colocar o Brasil no caminho para se firmar como país do presente, não obstante com todas as condições para isso.
É intrigante constatar que propostas para mudar o que está errado e buscar colocar o país no seu devido lugar não fazem parte da agenda propositiva dos candidatos que se apresentam com disposição de governar o Brasil por pelo menos quatro anos. Aparentemente, a campanha atual é um retrato piorado das anteriores. Os reflexos estão nas pesquisas, mostrando respostas que revelam eleitores descrente, dispostos à abstenção e ao voto branco ou nulo. A reação é compreensível, mas a omissão em praticamente nada ajudará.
O importante é que se não mais acreditamos nos políticos, creiamos no povo brasileiro, na potencialidade do Brasil, na riqueza deste país. Apostemos nas próximas gerações, pois esta que hoje predomina haverá de passar. Mudanças conseguiremos com brasileiros sérios, com gerações comprometidas com o Brasil e sobretudo com ideias novas. Em um país democrático isso passa pelo voto...  
O Brasil é controverso em si mesmo, o que levou um analista paranaense a escrever livro cujo título é conclusivo: “O Brasil não é para amadores”. Sem dúvida, como pode uma nação com enorme potencial, com tanta riqueza no solo, no subsolo e na faixa marinha viver política e administrativamente quase no primitivismo? Qualquer pessoa com mínimo senso encontrará a resposta.
Afinal, este é o Brasil, pais de dois pólos em que, infelizmente, o negativo tem sido mais forte.

Campanhas de vacinação devem ser impositivas e punir as omissões

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As notícias sobre campanhas de vacinação e seus resultados revelam sistematicamente que as metas não vêm sendo atingidas. Esse fato gera natural preocupação na saúde pública devido ao recrudescimento de doenças existentes e reaparecimento de outras que pareciam erradicadas. Além disso, há o surgimento de doenças novas que igualmente merecem atenção em termos preventivos. Até alguns tipos de gripes têm registrados casos fatais, segundo recentes informações. Dados oficiais revelam baixa cobertura nas regiões; no Sudeste, que apresenta o melhor desempenho registrado, não mais do que 77% do público-alvo foram cobertos.
Sem dúvida, há uma espécie de conspiração contra a mobilização pela saúde pública. Inacreditavelmente, há pessoas e grupos com ideias anti-vacinação que pelas redes sociais disseminam conceitos estapafúrdios que vão de crenças religiosas a posições ideológicas. Esses grupos criam mitos e boatos, como sobre a imunização contra a gripe, de que a vacina faz com que a pessoa fique gripada, quando na verdade ela previne infecções e pode salvar muitas vidas. Esta realidade tem feito que os médicos se mostrem vigilantes e dediquem mais tempo para o convencimento sobre a importância da imunização preventiva.
A vacinação é o meio de enfrentar o problema e isso depende de campanhas sociais, chamamento e efetivas ações. Se as campanhas não estão produzindo os resultados esperados devem ser revistas e reestudadas para se saber onde estão as falhas. Ultimamente, foram deflagradas campanhas contra poliomielite, sarampo, febre amarela, dengue, influenza, entre outras, com baixo nível de imunização, o que é preocupante. No final da semana passada ocorreu o chamado dia D de vacinação contra sarampo e poliomielite. O Ministério da Saúde informou que a cobertura ficou em torno de 40% do público-alvo e a mobilização foi estendida até o final do mês.
Essa dificuldade de resposta positiva não é problema atual, mas deve ser enfrentado com criatividade e rigor. Quando assumi o Ministério da Saúde, em 1987, ainda havia casos de poliomielite, principalmente no Nordeste. A população se mostrava refratária ao chamamento para comparecer aos postos de saúde. Foi necessário desenvolver uma campanha maciça, até o Exercito colaborou indo às casas para vacinar a população e as metas foram cumpridas. Mas era preciso estimular a vacinação em todo o país. Então, o Ministério promoveu concurso nacional para criar um ícone, um personagem que influenciasse principalmente crianças. Surgiu a figura do Zé Gotinha, até hoje mantida, mas ultimamente muito pouco utilizada. Na época, o Brasil se tornou modelo em vacinação e a pólio foi erradicada. Em dezembro de 1987 assinei a portaria criando a figura do Zé Gotinha.
Atualmente a poliomielite é ameaça constante e somente pode ser barrada com imunização. De acordo com dados oficiais há risco de retorno da doença e que mais de 300 cidades estão abaixo da meta preconizada para vacinação, o que levará à formação de bolsões de pessoas não vacinadas, possibilitando, assim, a reintrodução do poliovírus e do sarampo.
O Ministério da Saúde reconhece que há dificuldade em cumprir as metas e foi feito novo alerta para a gravidade da situação. Na sequência, campanhas foram realizadas sem modificação do quadro.
Tenho notado que as campanhas acabam prorrogadas, por não alcançarem as metas previstas, há casos em que até sobram vacinas em alguns municípios. Parece que há desinteresse da população, das famílias, e as doenças vão se alastrando. Entendo que se campanhas educativas e de conscientização não estão surtindo efeito desejado, que sejam obrigatórias. Há que se buscar formas e meios para isso e estabelecer punição de pais e responsáveis que se mostrarem desinteressados ou omissos, algo como suspensão de benefícios sociais ou mesmo multa pecuniária. Não será nenhuma arbitrariedade, pois se trata de saúde pública, do bem-estar da população.
Para outras situações que colocam em risco especialmente crianças, como em educação e questões sociais, há instrumentos legais para chamar à responsabilidade e até punições previstas. Por que não adotar salvaguardas semelhantes quando se refere à saúde física? Somente a possibilidade de punição já seria suficiente para inibir eventuais omissões de responsáveis.
Não é admissível que doença que se supunha erradicada reapareça e que as endêmicas sigam a crescer, fazendo vítimas, causando preocupação e a passividade continue.
Os riscos são evidentes. A possibilidade de algumas doenças graves que já haviam sido eliminadas no Brasil voltarem a atingir a população é uma realidade preocupante. Diante da ameaça do retorno do sarampo e da poliomielite, que podem ser preveníveis a partir da vacinação, os dados de cobertura vacinal no País se mostram abaixo da meta. É evidente a importância de manter a vacinação em dia para evitar essas doenças e suas sequelas.
Enfermidade não é apenas quadro patológico que afeta a população, contamina também a produção laboral e onera o sistema de saúde pública. A vacina é a melhor forma para evitar o retorno de doenças eliminadas e para atacar as que estão assediando a população. É na saúde que mais vale a máxima de que é melhor prevenir do que remediar. Imunização vacinal é o caminho preventivo - todavia, com seriedade, responsabilidade e se necessário com rígida obrigatoriedade.



Esqueçam o Lula...

Está ocorrendo fato inusitado – e preocupante – em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fato este relacionado com sua situação de político preso e do ano eleitoral.
Deliberadamente ou não, há campanha induzindo a ilações de que existe intenção de transformá-lo em mito e injustiçado sugerindo que seja ele o único capaz de dar jeito na situação do país. Daí a massiva repercussão de qualquer assunto que a ele tenha ligação, mesmo que irrelevante. A militância, partidários, admiradores e sua defesa jurídica têm o direito de promover o movimento, mas há outros estratos engajados, além da mídia disposta a fazer papel de caixa de ressonância - desses, não se sabe o interesse. E até mesmo a avaliação crítica acaba favorecendo o interessado, é a repetição da velha máxima: ‘falem mal de mim, mas falem’...
Lula é um político preso, não um preso político como forçam em repetir na busca do convencimento impossível. Foi investigado, indiciado, julgado e condenado em ação penal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, delitos praticados quando estava no cargo, em processo cercado de todas as garantias constitucionais, ou seja, um processo legal em primeira instância e depois confirmado por colegiado de segunda instância, que inclusive ampliou a pena.
Tentar fazer do ex-presidente um inocente é negar os delitos cometidos e aceitá-los como licitudes, é afronta à Justiça e tentativa de invalidar a operação (Lava Jato) de combate à corrupção que o levou à prisão.
Essa campanha política em favor de Lula é algo muito perigoso porque pode resultar na formação de falso mito com reflexo nas pesquisas eleitorais, como se tem notado, gerando um círculo vicioso: o movimento insufla os descontentes cujo pensamento se reflete nas consultas; a posição de liderança do político preso fornece combustível ao movimento, que influencia as pesquisas...
Lula é, ‘ipso facto’, um condenado e nessas condições não pode e não deve ser candidato (certamente não o será), pois do contrário seria revogar a lei e todos os esforços de combate à imoralidade e a corrupção na política e na administração pública.
Se o ex-presidente está preso é porque delinquiu... e há ainda outros processos bem mais ‘pesados’ do que esse pelo qual foi apenado. Além disso, é bom lembrar que Lula da Silva é reincidente, pois em seu primeiro mandato ocorreu o caso de corrupção conhecido como mensalão, que não o atingiu diretamente, mas deixa evidente que ele sabia e endossou. Assim como a Lava Jato, que ele tenta denegrir e afirma que nada sabe sobre os crimes apurados nessa investigação que parece não ter fim, dada a extensão da teia que onerou não somente a Petrobras e o BNDES como outros segmentos da administração pública e da iniciativa privada que viviam em estado promíscuo. Para um chefe de governo afirmar que não sabia de nada do que se passava nos altos e médios escalões do governo é passar atestado de completa alienação – ou de conivência.
Portanto, esqueçam Lula!, deixem-no a cargo de quem de direito, a Justiça. Criar factóides até a partir de uma carta simplória significa não agir de boa fé. Basta a insana atuação da defesa que impetra recursos em profusão, todos sem base, tanto que são sistematicamente negados. Além disso, a banca advocatícia de Lula abona recursos de pessoas comuns (aparentemente ‘laranjas’), como aconteceu no início do mês de julho, quando o STJ julgou 146 recursos, levando a presidente do órgão, ministra Laurita Vaz, a escrever em um despacho que "o Poder Judiciário não pode ser utilizado como balcão de reivindicações ou manifestações de natureza política ou ideológico-partidárias". A cada recusa da Justiça a defesa, lideranças, militância e amigos petistas reverberam os refrões de que Lula é um injustiçado e que há plano específico para evitar que ele venha ser candidato novamente, apoiando seus argumento nas pesquisas, o que certamente acaba refletindo na campanha.
O bom senso diz que se deve tirar Lula do âmbito político-eleitoral e deixar que a Justiça decida, sob a égide da lei, à luz dos fatos.
Acredita-se que haverá sucessivo e amplo leque de recursos forçando o registro da candidatura de Lula. Espera-se da Justiça Eleitoral firmeza para não relevar a repercussão partidária e decidir com base na lei (da Ficha Limpa inclusive) e do precedente jurídico-penal do candidato.
Em outubro o Brasil vai às uras para escolher o próximo presidente. É desejável que o processo não venha a ser conturbado pela situação de quem perdeu o direito de participar das eleições; que os eleitores tenham discernimento para escolher um candidato ficha limpa, elegê-lo e apoiá-lo, para que o país volte a trabalhar em paz política.
Esqueçam Lula e suas bravatas, esqueçam as chicanas jurídicas de sua defesa, esqueçam a militância partidária. Dar curso a factóides é colaborar para ambiente e clima inadequados e impróprios que em nada contribuem, somente servem a quem deseja instabilidade e conturbação.
Como lembra o dito escatológico, coisa há que melhor é não mexer, para não exalar o inconveniente; é deixar quieta que naturalmente seca e desaparece...